Ex-dirigente do FMI apoia manobra do vale tudo americano... Nada como um dia após o outro, diria o conselheiro Acácio diante da entrevista do ex-número 2 do FMI, agora presidente do Banco de Israel (equivalente ao banco central do país) Stanley Fischer. A entrevista está publicada no Estadão de hoje sob o título "É complicado economia forte com moeda fraca". Nela Fischer afirma que prefere que os EUA "voltem a crescer, mesmo que o peso do ajuste fique com os outros".
Stanley Fischer agora defende a estratégia do FED (banco central) americano! Ex-vice-diretor-gerente do Fundo ele acredita que o mundo está distante de um acordo monetário global, tema que dominará a pauta da última reunião do G-20 este ano, dias 11 e 12 próximos, em Seul (Coréia do Sul) à qual estarão presentes o presidente Lula e a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT).
Isso mesmo, nesta sua entrevista fica claro que para Fischer vale tudo para a maior economia do mundo crescer. O que, registre-se, coincidentemente - e se acontecesse - resolveria todos os problemas de Israel, que exporta quase a metade de seu PIB e vive, como o Brasil, as conseqüências do câmbio valorizado e da perda de competitividade de suas exportações.
Europa cúmplice da manobra norte-americana
Como a Europa e os EUA estão endividados até o pescoço e com juros quase negativos, não há margem de manobra em suas políticas fiscais e monetárias. Na Europa, o caminho foi à recessão e o desemprego.
Lá, depois de salvarem os bancos e protegerem os especuladores às custas do maior endividamento da história do capitalismo, agora os governos fazem recair o peso da crise sobre os trabalhadores e autônomos com desvalorização dos salários, aumento de impostos, corte de despesas sociais, de direitos trabalhistas e aumento do tempo para aposentadoria, com a justificativa de que há envelhecimento da população.
Como vemos dois pesos e duas medidas. Assim, no vale tudo para retomar o crescimento, diminuir o desemprego, reanimar o consumo das famílias e o investimento das empresa, os EUA - maior economia global e que domina o mundo - inundam sua economia de dólares, numa última tentativa de reanimá-la e, portanto, a economia mundial. A Europa, que está na direção contrária, silencia cúmplice da manobra americana.
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